“No fim do dia, o que nos move é o passageiro, a experiência segura do passageiro, valorizar o tempo das pessoas”, disse Juliano Noman, na abertura do AIS 2026
Dez dias depois da entrada em vigor da Resolução 800 da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), o presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Juliano Noman, defendeu que “a segurança seja o começo e o fim de tudo” na indústria da aviação. Durante a abertura do Aviation Infra Summit (AIS) 2026, promovido pela Abear, na manhã de hoje, em São Paulo, Noman destacou que a atuação conjunta do setor aéreo permite avanços como a norma da Anac que busca inibir atos de indisciplina a bordo das aeronaves e nos aeroportos do país, aumentando a segurança do transporte aéreo.
“Não são muitos os países que têm essa norma. O Brasil, como sempre, liderando a aviação no mundo e fizemos uma campanha muito grande de conscientização para explicar a norma, para que a gente possa ter uma implementação tranquila. É uma norma que a gente gostaria de não precisar executar, mas que dá respaldo, cuida da segurança das operações, cuida da segurança dos passageiros, cuida da segurança de quem trabalha na aviação. Porque no fim do dia, o que nos move é o passageiro, a experiência segura do passageiro, valorizar o tempo das pessoas”, afirmou Noman.
Já o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse que o país deve bater novo recorde de passageiros em 2026. A previsão baseia-se “no trabalho que vem sendo feito por todos os atores da indústria da aviação para que o setor aéreo seja cada vez mais seguro, eficiente e acessível”. Segundo Tomé Franca, o MPOR está atento à agenda de custos do setor. “Estamos em diálogo permanente com o Ministério da Fazenda e temos sentido muita sensibilidade às pautas da aviação civil e à sua importância para o crescimento da economia e à redução de distâncias.”
O diretor-presidente da ANAC, Tiago Faierstein, ressaltou as ações do órgão regulador para enfrentar a judicialização predatória. Segundo ele, ao atualizar a Resolução 400, a ANAC aumentou a transparência para o passageiro e facilitou a compreensão de seus direitos em casos de atrasos e cancelamentos. “Não se trata de negar o direito do consumidor ir à Justiça, mas de inibir uma indústria de litigância abusiva, que faz publicidade antecipando valores que um passageiro pode ganhar se seu voo atrasar, mesmo que o motivo do atraso seja alheio à vontade das empresas”, disse Faierstein.
Participaram da solenidade de abertura do AIS 2026 os CEOs da Azul, John Rodgerson, da Gol, André Fehlauer, e da Latam, Jerome Cadier, além da gerente-executiva de Negócios da Confederação Nacional do Transporte, Luciana Malamin.
O AIS 2026 se estende até amanhã (25/09), com o tema “Operação e Infraestrutura Aeronáutica Inteligente — eficiência, inovação e sustentabilidade para a aviação do futuro”. Entre os temas que serão tratados nos dois dias de evento estão: a experiência do passageiro, eficiência operacional e o gerenciamento do risco de fauna para prevenir colisões de pássaros com as aeronaves, episódios conhecidos na aviação como bird strike. Também estão na pauta a aviação regional e a implantação de sistemas antidrones nos aeroportos brasileiros.


