Somente em 2026, país teve 52 ocorrências com drones que impactaram a aviação regular. Do total, 14 foram no aeroporto de Guarulhos
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e a Polícia Federal analisam a instalação de equipamentos para identificar e neutralizar drones que invadem o espaço aéreo do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo o Tadeu Neves, gerente de operações da GRU Airport, a expectativa é que o sistema consiga detectar o drone que esteja sobrevoando uma área de risco, monitorado, identificado o piloto e, em seguida, que esse equipamento seja neutralizado através de sistemas chamados de jammers e cyber take over.
“Nós compartilhamos o termo de referência com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que já nos retornou. Com essas informações, a gente compilou e encaminhou para o Decea e para a Polícia Federal e demos um prazo até o final do mês para eles retornarem (…) para que a gente possa ir ao mercado e cotar as propostas para saber quanto vai ser esse investimento”, disse Neves no segundo dia do Aviation Infra Summit em painel que discutiu sistemas antidrones no Brasil.
Hoje, nenhum aeroporto do Brasil conta com um sistema avançado que impeça o uso de drones em áreas aeroportuárias, e a experiência em Guarulhos pode trazer os primeiros aprendizados em território nacional em relação ao uso dessa nova tecnologia.
De acordo com Raul de Souza, diretor de Segurança e Operações de Voo da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), somente um evento ocorrido no dia 20 de agosto deste ano provocou a suspensão das operações em Guarulhos por 40 minutos. Este episódio teve o impacto de 20 voos atrasados e 8 cancelados, considerando somente as companhias aéreas brasileiras. Alo todo, 4,9 mil passageiros foram afetados.
Segundo o diretor-adjunto de serviços de navegação aérea do DECEA, Coronel Diego Henrique de Brito, em todo ano de 2026, o país teve 52 ocorrências com drones que impactaram a aviação regular. Dessas, 14 foram no aeroporto de Guarulhos.
Dificuldades de implementação
O superintendente de infraestrutura aeroportuária da Anac, Giovano Palma, explicou que, para além das regras da Anac e DECEA, a neutralização de drones envolve bloqueadores de radiofrequência, o que também exige a atuação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Isso porque é ela que disciplina quais as situações que podem ser acionados os bloqueadores de sinais de radiofrequência, os órgãos e as necessidades para uso desses equipamentos.
Palma acrescentou que, atualmente, o país conta somente com um fluxo de acionamento para ser utilizado quando há um avistamento de drones em áreas aeroportuárias. Entretanto, esse mecanismo ainda é insuficiente para lidar com este problema.

