Iniciativa fortalece e gera oportunidades para juventude Avá-Guarani por meio da cultura e da biodiversidade
Na região oeste do Paraná, a comunidade indígena Tekohá Ocoy, do povo Avá-Guarani, transforma arte em resistência, pertencimento e futuro. É nesse território com raízes ancestrais que nasce o projeto Tembiapo Mandu’a Porã Ndive, que na língua significa “criar a partir de boas memórias” uma iniciativa idealizada pelo Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel, e pelo Cidades Invisíveis, em parceria com o Projeto Onças do Iguaçu.
Estruturado em três pilares — arte como transformação, cultura como legado vivo e conservação conectada ao território —, o projeto promove intercâmbio artístico, fortalecimento cultural e geração de oportunidades para estudantes do Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, que atende cerca de 400 alunos diariamente.
O território indígena, localizado no município de São Miguel do Iguaçu, próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, reúne cerca de 900 pessoas e consolidou-se ao longo dos anos como um espaço de vivência, preservação cultural e autonomia do povo Guarani na região.
“Os jovens gostam de desenhar, fazer arte, participar de projetos e mostrar a cultura, mas o que falta é oportunidade. Esses projetos ajudam eles a perceberem que têm espaço e algo a oferecer”, relata o professor indígena Gilmar Chamorro.
Ao longo de 2026, o projeto realizará seis módulos de oficinas artísticas dentro da escola indígena, com atividades de fotografia, desenho, muralismo, grafite, cerâmica e pintura em tela. Entre os artistas convidados estão Samuel dos Santos (Samuka), Prado Neto, Beto Gatti, Sabrina Cuiligotti, Igor Izy e Cleise Vidal. O objetivo é ampliar os repertórios criativos dos jovens sem desconectá-los de sua identidade cultural.
A iniciativa também conta com a participação de referências contemporâneas como o professor e mestrando em Educação Gilmar Chamorro (do povo Avá-Guarani), a jornalista Luciene Kaxinawá (do povo Huni Kuin), primeira indígena a atuar na TV brasileira, e o modelo internacional Noah Alef (do povo Pataxó). Além de toda a programação ter sido debatida e construída em conjunto com a comunidade.
As obras produzidas pelos estudantes serão apresentadas em uma exposição oficial no Hotel das Cataratas. Toda a renda arrecadada será destinada integralmente ao Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo para melhorias estruturais, criação de um estúdio permanente de arte e viabilização de excursões educacionais e culturais.
A possibilidade de que pessoas de outros países adquiram as obras é vista pela comunidade como algo significativo: cada tela carregará parte da memória e da identidade Avá-Guarani para diferentes partes do mundo. “A arte vai longe e conta um pouco da nossa história. É uma forma de nos representar”, afirma Gilmar Chamorro. Assim, cada obra deixa de ser apenas uma expressão artística e se transforma em ponte entre culturas, ampliando vozes historicamente silenciadas e levando a ancestralidade Avá-Guarani para diferentes partes do mundo.
Para os indígenas da comunidade Tekohá Ocoy, a iniciativa representa muito mais do que o incentivo à produção artística e cultural. O projeto se consolida como uma ferramenta de fortalecimento identitário, valorização dos saberes tradicionais e promoção da autonomia da juventude Avá-Guarani.
O cacique e professor Luís Baracá destaca que uma das missões centrais da iniciativa é romper estereótipos ainda presentes na sociedade: “Como povo indígena, queremos quebrar esse gelo da visão do não-indígena. Quem quiser conhecer a cultura indígena precisa chegar nas comunidades, conversar, conhecer a realidade, a dança, o canto e a reza.”
Ao estimular espaços de criação, memória e pertencimento, o projeto reafirma a importância da cultura Avá-Guarani como elemento central de preservação e continuidade ancestral. Além disso, amplia o diálogo entre a comunidade e a sociedade não indígena, promovendo reconhecimento, respeito à diversidade cultural e maior compreensão sobre a realidade vivida pelos povos originários do oeste do Paraná.
Para o professor Gilmar, ocupar espaços é também uma forma de resistência. “Muitas pessoas ainda se surpreendem quando descobrem que somos professores, pesquisadores ou artistas. Ocupar esses espaços é uma forma de quebrar esse olhar preconceituoso.” Os jovens vêm retomando grafismos tradicionais, pinturas corporais e referências ancestrais antes reprimidas e a arte aparece como linguagem de memória e continuidade cultural.
A parceria entre Hotel das Cataratas, Cidades Invisíveis e Projeto Onças do Iguaçu também reforça a conexão entre conservação ambiental e fortalecimento comunitário. Localizada próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, a Tekohá Ocoy representa um território onde biodiversidade, memória e identidade permanecem profundamente interligadas. E o objetivo não é trazer soluções únicas, mas unir forças com a comunidade e auxiliar no impulsionamento dela.

Um convite para uma Experiência com Propósito
Projetos que caminham ao lado de povos indígenas e comunidades locais têm a capacidade de gerar transformação com respeito, escuta e pertencimento. Mais do que incentivar a produção artística ou promover experiências culturais, iniciativas como essa ajudam a fortalecer identidades, preservar memórias e garantir que tradições continuem vivas para as próximas gerações. Quando as empresas decidem se unir a esse propósito, elas ampliam o impacto que podem gerar no mundo.
O apoio à cultura local deixa de ser apenas uma ação institucional e passa a se tornar um compromisso real com diversidade, sustentabilidade e justiça social. Quando turismo, cultura e responsabilidade social caminham juntos, criam-se experiências transformadoras não apenas para quem recebe apoio, mas também para quem escolhe participar desse movimento.
É esse convite que o projeto Tembiapo Mandu’a Porã Ndive propõe: agora, esse impacto também poderá ser compartilhado com outras pessoas por meio de uma experiência imersiva criada em Foz do Iguaçu através do Hotel das Cataratas. Entre os dias 17 e 20 de setembro de 2026, convidados terão a oportunidade de viver dias únicos dentro do único hotel localizado no Parque Nacional do Iguaçu, participar de vivências exclusivas, conhecer a comunidade Tekohá Ocoy e se aproximar da cultura Avá-Guarani de maneira respeitosa e transformadora.
A experiência será concluída com um leilão beneficente realizado nos jardins do hotel, com 100% da arrecadação revertida para o Colégio estadual Teko Ñemoingo. Parte do valor das hospedagens também será destinada às ações do Cidades Invisíveis, fortalecendo projetos sociais, culturais e educacionais desenvolvidos em diferentes territórios do país.
Mais do que participar de uma viagem exclusiva, os convidados serão parte ativa de uma rede de transformação social que acredita que experiências extraordinárias também podem gerar impacto real e duradouro.




