Foto: Roberto Castro/MTUr
Com oito navios e novas escalas, o novo ciclo do turismo marítimo projeta uma movimentação econômica bilionária na costa do país
Prestes a começar, a temporada brasileira de cruzeiros 2026/2027 consolida um cenário de retomada e otimismo para o turismo nacional. Um levantamento da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA no Brasil), divulgado com exclusividade pelo Ministério do Turismo, revela que, entre o fim de outubro e 9 de abril de 2027, oito navios atuarão de forma regular na costa do país — uma embarcação a mais em relação ao ciclo passado. Com isso, a capacidade pode superar 800 mil leitos ofertados, o que representa um salto de aproximadamente 24%, além da previsão de 700 escalas ao longo do período. O primeiro embarque acontecerá em Santos (SP), com o navio Corazul Buenavista. A temporada contará também com as embarcações Costa Diadema, Costa Serena, MSC Divina, MSC Musica, MSC Seaview, MSC Splendida e MSC Virtuosa. São gigantes dos mares com diferentes capacidades e propostas de viagem, oferecendo desde minicruzeiros até roteiros de sete ou oito dias.
O avanço dos indicadores consolida a posição estratégica do país no mercado global e reforça o impacto direto da atividade na economia local. “O Brasil é líder do setor de cruzeiros na América do Sul, e esse crescimento de 24% na oferta prova a força do nosso litoral. A cada navio que atraca, uma cadeia imensa de serviços é ativada, beneficiando quem vive do turismo. O Ministério do Turismo atua para tornar esse mercado cada vez mais forte, pois ele é estratégico para atrair turistas internacionais, integrar o nosso continente e dar visibilidade global à diversidade dos nossos destinos”, ressalta o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
Os portos de embarque e desembarque da temporada serão Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá. Entre as novidades está o retorno de Paranaguá à operação regular, ampliando as alternativas para a região Sul. Já Balneário Camboriú, que estreou como homeport no ciclo 25/26, amplia sua atuação com a estrutura alfandegada do Atracadouro Barra Sul, favorecendo o prolongamento das estadias (pré e pós-cruzeiro) e movimentando os serviços locais.
“A oferta 24% maior marca um início de recuperação e amplia as opções para os viajantes e as oportunidades para os destinos. Precisamos, porém, olhar para esse movimento com objetividade: ele foi influenciado por rearranjos de mercado e pelo cenário geopolítico internacional e não significa que o Brasil tenha superado seus desafios de competitividade. Agora, precisamos transformar essa recuperação em crescimento consistente, com infraestrutura adequada, custos competitivos, previsibilidade e segurança jurídica. O Brasil disputa navios com mercados do mundo inteiro, e avançar nessas condições é fundamental para manter as operações que temos e conquistar novas embarcações”, afirma Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil.
Entre os destinos de escala estão Búzios, Angra dos Reis, Ilha Grande, Cabo Frio, Ilhabela, Recife, Ilhéus e Porto Belo. Aprofundando a integração sul-americana, fortemente defendida pelo MTur, os roteiros também incluirão Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este. “Em uma mesma viagem, o passageiro pode conhecer diferentes lugares sem precisar reorganizar malas, hospedagens e deslocamentos a cada parada”, destaca Gustavo Feliciano.
Considerando conjuntamente a cabotagem e os navios de longo curso, Santos terá a maior movimentação, com 161 escalas e mais de 640 mil leitos. O Rio de Janeiro receberá 125 escalas e mais de 316 mil leitos, enquanto Búzios deverá superar 400 mil visitas em 108 escalas. Ilhabela terá 60 escalas e mais de 208 mil visitas. No Sul, Balneário Camboriú receberá 52 escalas e Itajaí terá 40. No Nordeste, Salvador contará com 47 escalas e cerca de 182 mil leitos, e Maceió terá 26 escalas e mais de 137 mil leitos.
Esse fluxo beneficia uma cadeia formada por terminais, receptivos, guias, transportadoras, taxistas, motoristas de aplicativo, restaurantes, bares, comércio, artesãos, atrações e operadores de passeios. Nos destinos de embarque e desembarque, hotéis, aeroportos e serviços utilizados antes e depois da viagem também participam desse movimento.
Para se ter uma ideia da dimensão econômica da atividade, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas em parceria com a CLIA no Brasil, na temporada 2025/2026, o impacto econômico direto, indireto e induzido por cruzeirista foi de R$ 800,98 nas cidades de escala e de R$ 962,55 nos destinos de embarque e desembarque, onde a permanência e o consumo costumam ser maiores.
Além dos oito navios dedicados à cabotagem, embarcações internacionais de passagem ampliarão a presença da atividade ao longo do litoral e em destinos fora dos circuitos regulares. Para 2026/2027, estão programados 28 navios de longo curso, de 22 companhias, com mais de 200 escalas em 32 portos e pontos de parada brasileiros, do Sul à Amazônia.
Perfil dos cruzeristas
A combinação entre hospedagem, alimentação, entretenimento e transporte entre destinos ajuda a explicar o custo-benefício percebido pelos passageiros. A bordo, há opções para famílias, casais, grupos de amigos e pessoas que viajam sozinhas, com atividades para diferentes idades e interesses.
O perfil levantado pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a CLIA no Brasil, mostra que o cruzeirista da última temporada tinha, em média, 45 anos. As mulheres representaram 54,6% do público, 85,8% dos passageiros viajaram acompanhados e 74% tinham entre 26 e 55 anos.
A principal motivação declarada foi a própria experiência de viajar de navio, citada por 44,2% dos entrevistados. Férias apareceram em seguida, com 21,8%, e a possibilidade de conhecer vários destinos em uma única viagem foi mencionada por 15,3%. Na escolha do cruzeiro, o destino teve praticamente o mesmo peso do preço, mostrando que as cidades incluídas no itinerário influenciam diretamente a decisão de compra.
A experiência também apresentou avaliações elevadas: 98,5% dos entrevistados afirmaram que a viagem atendeu ou superou as expectativas, e 91,7% pretendem fazer outro cruzeiro. O custo-benefício recebeu nota média de 9,26, em uma escala de zero a dez.
Os agentes de viagens continuam ocupando uma posição importante nessa decisão. Eles foram o principal canal de busca de informações, consultados por 45,2% dos passageiros, à frente das redes sociais, que muitas são administradas pelos próprios agentes, das recomendações de amigos e familiares e dos sites das companhias.




