Crédito: Mônica Pereira
Projeto de R$ 85 milhões prevê extensão da pista para 1.600 metros e construção de novo terminal; proposta de emenda de bancada tramita no Congresso Nacional
O Aeroporto de Canela aguarda a homologação final da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para operar na categoria 2C, que contempla aeronaves com capacidade para até 72 passageiros, como o ATR-72. Em uma nova etapa, um projeto orçado em R$ 85 milhões prevê a ampliação da infraestrutura para receber aeronaves comerciais de maior porte, como o Airbus A319, o Boeing 737 e o Embraer 195. A iniciativa busca fortalecer a conectividade aérea e ampliar o potencial de desenvolvimento turístico e econômico da Serra Gaúcha.
O projeto prevê a extensão da pista dos atuais 1.260 para 1.600 metros, a construção de um novo terminal de passageiros e intervenções para ampliar a área de segurança operacional. Os recursos estão sendo articulados pela Associação dos Municípios de Turismo da Serra (AMSERRA), por meio de uma emenda de bancada do Rio Grande do Sul em tramitação no Congresso Nacional. O objetivo é viabilizar a inclusão dos valores no orçamento federal de 2027.
José Ernesto Marino Neto, diretor executivo do Kempinski Laje de Pedra e coordenador da Comissão Tripartite do Aeroporto de Canela, criada pela Prefeitura, acompanha a iniciativa. Para ele, a conectividade aérea é um componente importante para sustentar o crescimento do turismo e atrair novos investimentos para a região.
“Precisamos olhar para o desenvolvimento da Serra Gaúcha de forma integrada. O aeroporto já tem sua importância no acesso à região, e a ampliação da infraestrutura poderá abrir novas possibilidades para o turismo, os negócios, os eventos e para a população da região. É um investimento com potencial de gerar benefícios para toda a cadeia econômica regional”, afirma.
Ampliação da infraestrutura
O Aeroporto de Canela está na fase final do processo de homologação para a categoria 2C. As intervenções previstas para essa etapa já foram realizadas, incluindo o alargamento da pista de 18 para 30 metros e o reforço do pavimento asfáltico. Também foram realizados voos da Força Aérea Brasileira (FAB) para a homologação dos Papis — sistemas de iluminação que auxiliam os pilotos durante o pouso —, viabilizando as cabeceiras da pista. O processo aguarda a conclusão das etapas burocráticas para a homologação final.
Adélcio Guimarães, que atuou como superintendente de Engenharia da Infraero entre 2023 e 2025, foi responsável pelo projeto e pela execução das intervenções para a categoria 2C, além de elaborar o projeto de ampliação para a categoria 3C. Segundo ele, é importante distinguir as condições atuais do aeroporto das melhorias previstas para o futuro.
“As intervenções realizadas na infraestrutura representam uma evolução para o aeroporto e permitem avançar no processo de homologação. Já a ampliação para 1.600 metros de pista, a construção do terminal e as demais adequações fazem parte de uma nova etapa, que exige obras específicas e mais recursos”, explica Guimarães.
Com a execução do projeto, a expectativa é ampliar as possibilidades de operação de aeronaves de maior porte, respeitando as exigências técnicas de pista, segurança e operação de cada modelo. A expansão também poderá contribuir para aproximar o transporte aéreo dos principais destinos turísticos da Serra Gaúcha.
Aviação como vetor econômico
Para Gianfranco “Panda” Beting, publicitário e consultor aeronáutico internacional e cofundador da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, em 2008, a infraestrutura aeroportuária pode gerar impactos que vão além do transporte de passageiros.
“A aviação é um vetor de desenvolvimento que vai muito além do transporte de passageiros. Ela conecta mercados, facilita negócios e gera efeitos em diferentes setores, do turismo ao comércio e aos serviços. Quando uma região melhora a sua infraestrutura aeroportuária, amplia sua capacidade de atrair visitantes, empresários e investidores. No caso da Serra Gaúcha, que já possui uma oferta turística consolidada, a conectividade pode contribuir para uma nova etapa de crescimento e forte expansão do destino”, avalia Beting.
A ampliação do aeroporto poderá beneficiar setores como hotelaria, gastronomia, comércio, transporte, eventos e construção civil, além de facilitar o acesso de visitantes à região. A iniciativa ganha relevância diante dos investimentos em novos empreendimentos turísticos e da busca por ampliar a presença da Serra Gaúcha nos mercados nacional e internacional.
Segundo Guimarães, o investimento de R$ 85 milhões poderá contribuir para ampliar o Produto Interno Bruto (PIB) local em R$ 300 milhões por ano. “Por isso, tratando-se de uma região tão desenvolvida no turismo, é o dinheiro mais bem empregado do orçamento da União Federal”, afirma.
Beting também ressalta os efeitos da infraestrutura aeroportuária sobre diferentes atividades econômicas. “Um investimento em um aeroporto como o de Canela impacta 52 setores da economia imediatamente. Recordo de Indaiatuba antes da Azul utilizar o Aeroporto de Viracopos; tinha uma padaria e olhe lá. Hoje tem shopping centers, cinemas, clínicas médicas e dentárias, escolas, condomínios maravilhosos e grande qualidade de vida”, afirma.
Para Marino Neto, a experiência econômica internacional demonstra que a ampliação da infraestrutura é fundamental para expandir a oferta de bens e serviços e estimular o crescimento. “É o que a China vem fazendo há várias décadas. Em pequena escala, é o que se deseja para a Serra Gaúcha”, conclui.



