Nova armadora estuda antecipar em 45 dias o início das viagens e estender a temporada por mais 30 dias, o que acrescentaria cerca de 30 mil leitos à oferta
A temporada de cruzeiros 2026/2027 no Brasil pode ser ainda maior do que os números anunciados na sexta-feira (7), durante o XI Encontro Regional de Cruzeiros e Turismo Náutico-Fluvial, em Punta del Este, no Uruguai. A estreante no Brasil Corazul avalia antecipar em 45 dias o início de sua operação e estender a permanência na região por mais 30 dias após o encerramento oficial da temporada. Caso o plano seja confirmado, serão disponibilizadas cerca de 30 mil camas adicionais.
O ministro do Turismo do Brasil, Gustavo Feliciano, comentou a possibilidade. “Isso demonstra a confiança e a oportunidade que as empresas têm no Brasil. Estamos trabalhando para aperfeiçoar o turismo de cruzeiros, sempre pensando no desenvolvimento do nosso país, na geração de oportunidades, emprego e renda. Somos líderes na América do Sul e vamos crescer ainda mais”, disse. “Cada dólar investido pelo setor no Brasil se converte em quatro para a nossa economia. Neste ano, teremos sete portos para embarque e desembarque de passageiros, incluindo Paranaguá e Balneário Camboriú”, completou.
Estão previstos oito navios na temporada, com oferta de 831.254 leitos, crescimento de 24% em relação ao ciclo anterior. O número de itinerários passará de 160 para 190. A abertura oficial da temporada está marcada para 31 de outubro de 2026, com a estreia do navio Buenavista, da Corazul, saindo de Maceió, e segue até 9 de abril de 2027. Além das três cidades, ainda estão na rota Salvador, Santos, Rio de Janeiro e Itajaí. Nas rotas internacionais, estão incluídos Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina).
Na temporada 2024/2025, os cruzeiros de turismo geraram 93.700 empregos no Brasil, de acordo com estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) feito a pedido da Clia (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos). Na cidade de embarque, cada passageiro deixou cerca de US$ 164. Já na cidade de escala foi US$ 127. Ao todo, a temporada movimentou mais de US$ 1 bilhão na economia brasileira.
Internacionalização
Ao abordar as perspectivas para o setor de cruzeiros, o ministro Gustavo Feliciano destacou a necessidade de atrair mais turistas estrangeiros. Segundo ele, a expansão das rotas é fundamental para impulsionar a atividade. “Precisamos ampliar a regionalização, fortalecendo a circulação entre os países sul-americanos e, ao mesmo tempo, expandir a internacionalização do nosso destino, com uma distribuição mais ampla de rotas para atrair visitantes de outras partes do mundo. O Brasil tem trabalhado para ampliar o mercado de cruzeiros, diversificar roteiros, qualificar destinos e criar um ambiente cada vez mais favorável à atividade”.
O ministro do Turismo do Uruguai, Pablo Menoni, reforçou que o crescimento do setor depende de uma estratégia conjunta entre os países sul-americanos. “Ninguém se salva sozinho. Estamos vendo isso como uma região, como uma rota que começa, particularmente esta, no Rio de Janeiro ou Santos, passa por Punta del Este e Montevidéu, e chega a Buenos Aires, com a potencialidade inclusive de chegar a portos chilenos”, ressaltou.
Segundo ele, o objetivo é apresentar o circuito sul-americano como um destino integrado às companhias marítimas. “Não estamos vendo a visão individual de cada um dos nossos portos, mas sim a visão conjunta. É assim que queremos que os operadores nos vejam. Para podermos atrair cruzeiros de outras regiões, sobretudo de regiões que estão complicadas do ponto de vista geopolítico. Primeiro porque temos demanda e, segundo, porque estamos dando aqui um exemplo de integração do Mercosul”.