Com mais de 25 mil visitantes e 2 mil produtores de 43 países, feira encerra sua sétima edição e amplia influência comercial no setor
O tamanho impressiona, mas é o que acontece nas mesas de negociação que melhor explica o crescimento da ProWine São Paulo. A sétima edição da maior feira profissional de vinhos e destilados das Américas terminou nesta quinta-feira (8) com um recorde de mais de 25 mil visitantes, reunindo mais de 2 mil produtores de 43 países no Expo Center Norte, na capital paulista. Em três dias, o evento concentrou parte expressiva da cadeia de comercialização de vinhos e destilados, de pequenas vinícolas familiares a grandes grupos importadores, em um ambiente no qual novos contratos, decisões de compra e estratégias de distribuição ganharam protagonismo.
A ProWine São Paulo deixou de ser uma ocasião para conhecer lançamentos e trocar contatos e passou a influenciar diretamente o planejamento comercial de empresas que atuam no mercado brasileiro. Importadores aproveitam a concentração de fornecedores internacionais para negociar portfólios, distribuidores buscam produtos capazes de conquistar novos canais e compradores do varejo e da gastronomia avaliam o que oferecerão aos consumidores nos próximos meses. A feira ocorre justamente em um período decisivo para as compras de fim de ano e para a preparação dos negócios do ano seguinte.
“Antes, a gente fazia parte do calendário de eventos. Eu acho que hoje a gente faz parte do calendário de negócios dos vinhos vendidos no Brasil”, afirmou Malu Sevieri, diretora da ProWine São Paulo, ao avaliar os resultados da edição.
Segundo Christian Burgos, diretor da feira, produtores e compradores chegam cada vez mais preparados para negociar. O contato inicial continua importante, mas a busca por parceiros comerciais, preços competitivos e canais de distribuição passou a orientar boa parte das conversas nos estandes.
“O avanço está exatamente na qualidade dessas conexões. As negociações realizadas durante o evento ajudam a definir os produtos que estarão nas prateleiras brasileiras, nas cartas de restaurantes e nos catálogos de distribuidores nos próximos meses. Não se trata, portanto, apenas de apresentar novidades, mas de decidir quais delas efetivamente encontrarão espaço no mercado”, atesta Burgos.
A presença de produtores de 43 países evidencia o interesse crescente pelo mercado brasileiro, especialmente em um cenário internacional no qual vinícolas e entidades de promoção comercial procuram diversificar destinos de exportação. Na ProWine São Paulo, essa movimentação se traduziu em participações coletivas, reuniões com importadores e ações direcionadas à conquista de novos compradores.
A Espanha foi um dos exemplos mais visíveis, com quatro iniciativas que reuniram produtores da Comunidade Valenciana, de Murcia, de Rueda e de Castilla y León. A denominação de origem Rueda participou com 31 vinícolas e 74 rótulos, em sua maior ação comercial no Brasil até agora, impulsionada pelo crescimento de quase 198% no volume exportado ao país em 2025. Castilla y León, por sua vez, reuniu produtores de regiões como Ribera del Duero, Toro, Bierzo e Cigales, reforçando a estratégia de internacionalização de suas vinícolas.
A Alemanha também aumentou sua presença participando pela primeira vez com dois espaços coletivos. O VDP reuniu 12 propriedades de seis regiões produtoras, enquanto o German Pavilion, promovido pelo Ministério Federal da Agricultura, Alimentação e Identidade Regional, contou com outras oito vinícolas sob a marca Wines of Germany. Ao todo, 20 produtores apresentaram a diversidade da vitivinicultura alemã, com rótulos que vão além do tradicional Riesling e incluem Pinot Noir, Chardonnay, Silvaner e espumantes.
O movimento se estendeu a Portugal, França, Itália e aos países sul-americanos, que encontraram na feira um espaço para aprofundar relações com compradores brasileiros. Ao mesmo tempo, origens menos presentes nas prateleiras nacionais, como Armênia, Geórgia, Kosovo e Moldávia, mostraram que a diversificação de portfólios também pode abrir oportunidades comerciais.
Os destilados também ganharam espaço, com iniciativas dedicadas à apresentação de categorias e origens internacionais. A presença de bebidas como tequila, mezcal e destilados japoneses ampliou o repertório disponível aos compradores e reforçou a abrangência comercial do evento para além do vinho.
Uma feira que acompanha a transformação do mercado
A evolução da ProWine São Paulo também pode ser observada no perfil das empresas presentes. O evento reuniu não apenas produtores e importadores, mas negócios ligados à tecnologia, à rastreabilidade, à gestão comercial e à presença digital. São atividades que ganharam relevância em um setor no qual a competitividade depende cada vez mais da capacidade de distribuir, comunicar e vender os produtos.
O interesse por soluções voltadas ao varejo e à operação dos pontos de venda reflete uma preocupação concreta: ampliar a eficiência e a competitividade em um mercado que exige atenção a preço, posicionamento, logística e experiência de consumo. Entre as empresas presentes na feira, a DOit apresentou sistemas de gestão empresarial (ERP) para o varejo e a distribuição; a NSERIAL, tecnologia de identificação e autenticação de produtos para combater falsificações; a P.move Smart Places, soluções de posicionamento digital que conectam buscas online a vendas em estabelecimentos físicos; e a Moki, uma plataforma de gestão operacional que agiliza auditorias, reduz erros e otimiza processos no varejo, na logística e na indústria.
A próxima ProWine São Paulo está marcada para 5 a 7 de outubro de 2027, novamente no Expo Center Norte. O credenciamento de visitantes será aberto em março.

