Lago Aluminé, em Villa Pehuenia. Crédito: Turismo Neuquén
Villa Pehuenia, na província de Neuquén, no norte da Patagônia argentina, parece desafiar a imagem clássica da região associada a paisagens áridas, ventos intensos e grandes extensões de estepe. Às margens do lago Aluminé e cercada por montanhas cobertas por florestas de araucárias milenares, a pequena localidade oferece uma versão mais verde, silenciosa e intimista do destino patagônico.
Localizada a cerca de 310 quilômetros da capital neuquina, Villa Pehuenia tem pouco mais de 2 mil habitantes e faz parte de um circuito turístico ainda menos conhecido pelos brasileiros do que os tradicionais Bariloche e San Martín de los Andes. O que atrai visitantes é justamente essa atmosfera de refúgio: ruas tranquilas, baixa densidade urbana e uma relação estreita com a natureza.
A paisagem é marcada pelos pehuenes, nome dado às araucárias na língua mapuche, árvores que podem viver por mais de mil anos e que se tornaram símbolo da região. Suas sementes, os pinhões, seguem sendo um alimento tradicional para as comunidades indígenas que habitam a área há séculos.
No verão, o lago Aluminé se transforma no principal ponto de encontro. Suas águas transparentes convidam para passeios de caiaque, stand-up paddle e navegação, enquanto trilhas de diferentes níveis de dificuldade levam a mirantes naturais com vistas para os vales e montanhas da cordilheira. Já no inverno, a neve muda completamente o cenário e atrai viajantes em busca de atividade ao ar livre.
É nessa época que o Parque de Neve Batea Mahuida ganha protagonismo. Administrado pela comunidade mapuche Puel, o centro de neve oferece pistas para iniciantes e famílias, além de proporcionar uma experiência pouco comum nos Andes: a oportunidade de conhecer uma operação turística conduzida diretamente por um povo originário. Do topo do complexo, em dias de céu limpo, é possível avistar lagos e vulcões.
A gastronomia local também reflete a identidade da região. Restaurantes e casas de chá costumam incorporar ingredientes típicos da Patagônia, como truta, cordeiro, frutas vermelhas e pinhão, combinando tradições mapuches e influências da imigração europeia.
Embora ainda esteja fora das rotas mais movimentadas do turismo internacional, Villa Pehuenia vem ampliando sua infraestrutura de hospedagem e serviços sem abrir mão da escala reduzida que a caracteriza. O resultado é um destino que privilegia a contemplação e o contato com a natureza, em contraste com o ritmo acelerado de outros centros turísticos da Patagônia.
SERVIÇO
Localização: Villa Pehuenia está no corredor dos Andes, próxima à fronteira com o Chile, na província de Neuquén.
Como chegar: A partir do Brasil, a opção mais prática é voar até Buenos Aires e, de lá, voar para Neuquén Capital. O trecho final até Villa Pehuenia é feito por estrada, em uma viagem de aproximadamente 5h.
Quando ir: De dezembro a março, para aproveitar os lagos, trilhas e atividades ao ar livre; de junho a setembro, para experiências de inverno e neve.
O que fazer: Trilhas, navegação, caiaque, stand-up paddle, gastronomia regional e atividades de neve no Batea Mahuida.
Dica: Alugar um carro facilita os deslocamentos pela região e permite combinar Villa Pehuenia com outros destinos de Neuquén.




