Lago Panguipulli / Sernatur
A menos de duas horas de Valdivia, a “Terra dos Sete Lagos” concentra a maior rede de águas termais da América Latina, florestas milenares e a cultura mapuche viva — um destino ainda pouco explorado pelos viajantes brasileiros
Há lugares que parecem feitos para quem quer aproveitar de tudo sem pressa. Panguipulli, na Região de Los Ríos, é um deles. Conhecida como a “Terra dos Sete Lagos”, essa comuna do sul do Chile reúne, em uma área relativamente pequena, atrações que normalmente exigiriam vários destinos diferentes: lagos de águas cristalinas, vulcões cobertos de neve, uma floresta temperada declarada Reserva da Biosfera e uma forte tradição mapuche, que continua marcando o ritmo da vida local.
O nome Panguipulli vem do mapudungun e costuma ser traduzido como “morro dos pumas”. A cidade está localizada às margens do Lago Panguipulli, o maior do circuito, e funciona como a principal porta de entrada para a Rota dos Sete Lagos — um percurso cênico que conecta os lagos Panguipulli, Calafquén, Pullinque, Pellaifa, Pirihueico, Neltume e Riñihue. De suas praias é possível admirar os vulcões da região, enquanto sua igreja de madeira, construída em 1947, é um dos principais marcos arquitetônicos locais e um testemunho da tradição madeireira que moldou a cidade.
O que fazer: da água às montanhas
A identidade de Panguipulli está profundamente ligada à água, e as atividades agradam tanto quem busca aventura quanto quem deseja relaxar. Os rios da região — entre eles o Rio Fuy — oferecem rafting, caiaque de travessia, pesca com mosca e canyoning entre formações de rochas basálticas. Nos lagos, passeios de barco, canopy sobre a floresta e pesca esportiva (principalmente entre novembro e março) fazem parte das experiências mais procuradas.
Um dos grandes destaques é o corredor termal. A região reúne cerca de 14 complexos de águas termais, concentrados principalmente nas localidades de Coñaripe e Liquiñe, formando a maior concentração de águas termais da América Latina. São fontes naturais de águas quentes que emergem em meio a cachoeiras, rios e mata nativa — o encerramento perfeito para um dia de atividades ao ar livre.

Mocho-Choshuenco / Sernatur
Para quem prefere caminhadas, a Reserva Nacional Mocho-Choshuenco oferece trilhas com vistas para vulcões, a floresta valdiviana e diversos lagos. Bem próxima dali está a Reserva Biológica Huilo Huilo, famosa por seus hotéis de arquitetura icônica, trilhas autoguiadas e impressionantes cachoeiras, sendo um dos destinos mais fotografados do sul do Chile.

Termas Geometricas / Sernatur
Panguipulli também serve de base para uma experiência singular: atravessar o Lago Pirihueico de balsa. O trajeto, de aproximadamente uma hora e meia entre Puerto Fuy e Puerto Pirihueico, percorre uma paisagem cercada por vulcões e floresta nativa, além de conectar o Chile à Argentina pelo Paso Hua Hum.
A herança mapuche
Além das paisagens naturais, Panguipulli proporciona um encontro autêntico com a cultura mapuche, presente na gastronomia, no artesanato e nas trilhas conduzidas pelas comunidades locais. Localidades como Coñaripe, Liquiñe, Neltume, Choshuenco e Puerto Fuy oferecem cabanas, pousadas e campings, além da oportunidade de compartilhar e conhecer uma tradição ancestral que permanece viva até hoje.
Como chegar saindo do Brasil
Panguipulli está localizada a menos de duas horas de Valdivia e a cerca de três horas de Temuco, as duas principais portas de entrada para a região. Saindo do Brasil, o roteiro mais comum combina um voo internacional até Santiago com uma conexão doméstica para o Aeroporto La Araucanía, em Temuco (ZCO), ou para o Aeroporto Pichoy, em Valdivia (ZAL), ambos atendidos por diversas companhias aéreas. A partir desses aeroportos, é possível chegar a Panguipulli por estradas bem conservadas, utilizando carro alugado, transfer ou ônibus. O destino é ideal para ser combinado com um roteiro mais amplo pela Região de Los Ríos e pelo sul do Chile.
Quando visitar
O verão austral (de dezembro a março) é a alta temporada, quando as praias ficam movimentadas e a programação de atividades aquáticas está em pleno funcionamento. Já o outono oferece um charme especial, com florestas tingidas por tons de vermelho e dourado, rios mais caudalosos e águas termais envoltas pelo vapor. Graças à extensa rede de termas, Panguipulli é um destino que pode ser aproveitado durante boa parte do ano.
Em um momento em que os viajantes brasileiros buscam contato com a natureza, experiências ao ar livre e destinos ainda pouco explorados, Panguipulli e sua Rota dos Sete Lagos surgem como uma das opções mais completas — e ainda pouco conhecidas — do sul do Chile.



