Foto: Nico Ferri
Uma das primeiras vítimas do aquecimento global em todo o mundo são os ecossistemas de corais. Um dos mais biodiversos do mundo fica na costa brasileira. Para favorecer um futuro sustentável para o ambiente e as comunidades da região, a área entre Abrolhos e a Cadeia Vitória-Trindade, localizada no litoral do Espírito Santo e da Bahia, está recebendo aportes para o desenvolvimento científico e a atividade turística regenerativa e de base comunitária.
Para proteger os recifes de coral na região, que vai do sul da Bahia ao litoral do Espírito Santo, a Conservação Internacional (CI-Brasil) dá início ao projeto Abrolhos-Trindade + Resiliente. A iniciativa conta com o aporte de R$7.2 milhões do Fundo Socioambiental do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), e apresenta um valor total de R$14.4 milhões de reais com contrapartida da CI-Brasil. O recurso é destinado à conservação marinha, pesquisa científica e ao desenvolvimento da economia em toda a extensão do corredor marítimo.
Com mais de três décadas de atuação nesse tipo de projeto na região, que abrange uma área de 8 milhões de hectares, a Conservação Internacional (CI-Brasil) nos próximos três anos vai mapear os habitats marinhos do mar profundo e fomentar o turismo regenerativo em 183 quilômetros de litoral.
No Espírito Santo, o foco será a produção de conhecimento sobre áreas pouco conhecidas, como os corais de profundidade da Cadeia Vitória-Trindade. Já na Bahia, a ideia é prestar apoio às quatro Unidades de Conservação (UCs), como a Resex´s Marinhas Canavieiras, Cassurubá, Corumbau e PARNAM Abrolhos, fornecendo subsídios técnicos para planos de manejo e estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Nas duas regiões, a CI-Brasil vai estimular também o planejamento territorial por meio do turismo regenerativo.
Outro eixo estratégico para o futuro de Abrolhos é o turismo sustentável, que tem crescido ano a ano. A CI-Brasil, que já desenvolve projetos na região, antecipou essa tendência – confirmada por pesquisas realizadas por outras ONGs. A atividade injetou, em 2024, quase R$7 milhões na economia local, conforme estudo do WWF-Brasil, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o coletivo Abrolhos para Sempre. O levantamento comprova que as Unidades de Conservação, a pesca e o turismo na região movimentam R$1,9 bilhão. As UCs, por exemplo, contribuem com 30% dos empregos e 28% da economia associada à pesca e ao turismo na região.
“A paisagem marinha de Abrolhos a Trindade e Martim Vaz possui características naturais singulares e de grande importância ecológica. É um local com uma imensa diversidade cultural e histórica, que necessita avançar no planejamento territorial para sustentar um turismo regenerativoo”, explica Nátali Piccolo, diretora do Programa Marinho Costeiro da CI-Brasil. “Portanto, é preciso investir em ciência, para que seja possível reduzir a pressão que realizamos sobre os recifes de corais, promovendo renda para as comunidades locais e uma experiência do turismo na natureza e cultura únicas para os visitantes em harmonia com as comunidades tradicionais”, conclui.
Turismo ajuda a preservar
O projeto Abrolhos-Trindade + Resiliente vai contar com a parceria da Futuri, um hub de turismo sustentável e regenerativo que nasceu da aliança entre empresas, comunidades e governos, sob a idealização e cogestão da CI-Brasil, e vai focar em promover o desenvolvimento econômico local e a proteção da biodiversidade local. O objetivo é fortalecer as áreas protegidas, integrar atores locais em redes de governança e criar roteiros que valorizam a cultura regional que conservem a natureza.
A CI-Brasil já atua na região e vai fortalecer ainda mais os projetos em andamento. A Futuri reúne hoje 308 aliados, opera em nove municípios e conecta empreendedores a nove Unidades de Conservação Federais por meio de uma sugestão de roteiro de 26 dias. Na prática, a ideia é gerar renda e protagonismo para as comunidades, garantindo a conservação e a restauração do meio ambiente. No caso específico do Sul da Bahia, o projeto prevê ações nas reservas extrativistas marinhas de Una, Canavieiras, Belmonte, Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro, Prado, Alcobaça, Caravelas e Nova Viçosa, na região do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.
Já foram investidos pela CI-Brasil R$558 mil em estruturação e aceleração de negócios locais, com duas rodadas de editais, resultando em 56 empreendedores capacitados, sendo 60% dos negócios liderados por mulheres. A colaboração com o Futuri permite desenvolver modelos de negócio que substituem atividades predatórias por uma cadeia de valor regenerativa, gerando emprego e renda sem comprometer o patrimônio natural. Além do incentivo à produção de algas marinhas e ao turismo de base comunitária, reduzindo a pressão exploratória sobre os recifes, a parceria já proporcionou:
- A capacitação de mais de 100 moradores locais para atuar na economia do mar.
- Apoio a 100 pequenos negócios ligados ao turismo sustentável e à sociobiodiversidade.
A aprovação do recurso via chamada pública BNDES Corais reforça a confiança técnica no trabalho desenvolvido pela CI-Brasil e viabiliza esse tipo de projeto. Segundo Nátali Piccolo, diretora do Programa Costeiro e Marinho da organização, o projeto é a evolução de um trabalho que já ajudou a proteger mais de 8 milhões de hectares na região. “Esta parceria com o BNDES consolida nossa atuação de proteção e o fortalecimento das comunidades. Nosso histórico em Abrolhos Terra e Mar nos permite aplicar ciência e inovação para garantir que esses ecossistemas continuem sendo vetores de vida e renda”, afirma.





