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Foto: Atelier Marko Brajovic

 

O avanço do desmatamento na Amazônia disparou alarmantes 22% nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A cobertura vegetal da região se estende por nove estados da federação, o que equivale a 60% do território nacional. Queimadas, garimpo ilegal, o avanço agropecuário e a biopirataria alavancam a devastação e trazem prejuízos climáticos que reverberam diretamente no aquecimento global, como também castigam as populações – são 25 milhões de brasileiros vivendo na Amazônia Legal.

 

Enquanto ainda é tempo, nos cabe agir contra estas ameaças, incentivando soluções práticas que garantam a sobrevivência deste bioma e o bem-estar de seus povos. Não faltam esforços da sociedade civil e da iniciativa privada em trabalhar o ecoturismo, o extrativismo sustentável, a pesca de manejo e, claro, a garantia de educação de qualidade para que as gerações futuras possam resguardar a floresta de pé. Conheça alguns dos projetos educacionais e de conservação na região do baixo e médio Rio Negro, no estado do Amazonas.

 

Ecoturismo

 

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Anavilhanas. Foto: Sitah

 

A 180 quilômetros de Manaus por via terrestre, Novo Airão é a porta de entrada para explorar as maravilhas naturais do Parque Nacional de Anavilhanas – o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, com mais de 400 ilhas, no Rio Negro. O município abrange uma área total de 38.000 km², o equivalente a de um país como a Suíça, e conta com uma estrutura legal de proteção gigante: 85% da área física pertence a algum tipo de Unidade de Conservação, sejam APAS (Áreas de Proteção Ambiental), Parques Estaduais, Parques Nacionais ou Reservas Extrativistas. Ali grande parte dos seus 21 mil habitantes vive do ecoturismo, colaborando ativamente no desenvolvimento sustentável de toda esta extensão de terra preservada.

 

Precursores do ecoturismo de base comunitária na região, a Expedição Katerre (@ExpedicaoKaterre) e o hotel Mirante do Gavião Amazon Lodge (@MirantedoGaviao) desenvolvem desde 2004 operações turísticas em comunhão com profissionais ribeirinhos, entre incursões pela selva, trilhas aquáticas pelos igarapés e matas de igapó, focagem de espécies da fauna amazônica e incentivo à produção de artesanato. As empresas asseguram uma taxa de visitação, que auxilia na manutenção da estrutura destas comunidades e o bem-estar de seus moradores.

 

Educação e Conservação

 

Outro motor elementar para a prosperidade da Amazônia – talvez o mais relevante, uma vez que são as gerações seguintes que enfrentarão o momento mais crítico deste contexto de depredação crescente – é garantir a educação básica de qualidade na região amazônica. No mesmo município, a Fundação Almerinda Malaquias (@FundacaoAlmerindaMalaquias), organização não governamental criada no ano 2000 por Miguel Rocha da Silva e Jean-Daniel Vallotton, vem atuando como centro de educação ambiental para crianças e jovens entre 6 e 17 anos, com o objetivo de prepará-los para protagonizar resoluções ambientais para manter esta floresta toda de pé. Uma infraestrutura de salas de aula, centro de eventos, cozinha e refeitório acolhe hoje 190 crianças no contraturno escolar, para aulas e atividades multidisciplinares.

 

Uma extensão deste trabalho, o novo Projeto Educação Ribeirinha atuará na reformulação (construção ou reforma) de 25 escolas de comunidades isoladas neste mesmo e vasto território de Novo Airão. O principal objetivo do programa é prover educação básica de qualidade, melhorar a infraestrutura das escolas e casas de apoio ao professor, incluindo a implantação do sistema de energia solar, internet, cozinha para preparo da merenda e a construção de sanitários e fossas. A concepção das unidades ganharam o projeto de bioarquitetura do Atelier Marko Brajovic, que busca integrar a construção ao entorno natural, como resgatar os signos culturais das populações originárias destas regiões. Ao lado das secretarias de educação municipal e estadual, a Fundação Almerinda Malaquias dá o apoio pedagógico em treinar e capacitar o corpo docente, além de promover o intercâmbio entre os professores ribeirinhos e da ONG.

 

A floresta amazônica é o maior abrigo de biodiversidade do mundo, com 30 milhões de espécies de animais, sendo 180 em risco de extinção. Com viés de conservação, o Projeto Bicho de Casco, liderado pelo professor escocês Paul Clark, fundador da escola Vivamazônia na comunidade do Gaspar, e por Francisco Parede, presidente da Associação de Artesãos do Rio Jauaperi (AARJ), atua a quase duas décadas na proteção das quatro espécies de quelônios ameaçados na bacia do Rio Negro e afluentes: iaçá, irapuca, tracajá e tartaruga-da-Amazônia. Na luta contra o tráfico ilegal, uma força-tarefa movimenta seis comunidades, com fiscais e voluntários que monitoram sete zonas de desova do rio Jauaperi. Anualmente, cerca de 3 mil quelônios são soltos em segurança na natureza.

 

Sobre a Expedição Katerre: desde 2004 realiza roteiros fluviais em comunhão com as comunidades ribeirinhas do Rio Negro. Partindo do município de Novo Airão, a 200 km de Manaus, os roteiros regulares ou charters exploram o Rio Negro e seus afluentes, percorrendo maravilhas naturais em meio a privilegiadas unidades de conservação entre as quais o Parque Nacional de Anavilhanas e a Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco Jauaperi. A frota é composta de três embarcações: o Jacaré-açu com 8 cabines-suíte climatizadas, e o Jacaré-tinga com 3 cabines-suítes climatizadas, e a mais recente aquisição o luxuoso La Jangada, que abre uma nota rota de navegação ao largo do Rio Solimões com destino a Tabatinga e paradas para vivências em áreas de reserva e aldeias indígenas. Entre os serviços a bordo, incursões na natureza conduzidas pelos guias locais que compartilham seus saberes sobre a Floresta, e uma tripulação formada por capitão, marinheiro, camareiras e cozinheiras que recebe os visitantes com acolhida e simpatia genuína.

 

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