Cortina dAmpezzo Archivio fotografico Cortina Turismo

Cortina d'Ampezzo. Foto: Arquivo fotográfico Cortina Turismo

 

Saia ao ar livre para explorar o lado desconhecido de Cortina d'Ampezzo, o adorável resort nas montanhas, famoso pela beleza das Dolomitas, Patrimônio Mundial da UNESCO. Com muitas atividades em cada estação, seus atrativos culturais, sua riqueza de especialidades culinárias e seu estilo de vida, o local também tem um lado menos familiar que vale a pena descobrir.

 

Você sabia que o relógio no centro da cidade de Cortina comemora o dia do nome da Imperatriz Elisabeth de Wittelsbach ("Sissi") e toca os sinos do Big Ben de Londres? Que existe um banco na rua principal, Corso Italia, que hospeda algumas Sybils misteriosas? E que uma casa maravilhosa abriga afrescos de Dante, Goethe e Shakespeare? E se você preferir uma viagem de um dia de aventura, pode experimentar os maravilhosos cânions e as incríveis cachoeiras da Rainha das Dolomitas.

 

1 - Os tesouros da Basílica

 

A "viagem" pelos segredos da Cortina começa em seu coração, Corso Italia. Esta é a localização da igreja Basilica dei Santi Filippo e Giacomo (Basílica dos Santos Filipe e Tiago). Construído de 1769 a 1775 e restaurado em 1975, conserva em seu interior alguns tesouros artísticos de notável valor: o Altar-mor do barroco tardio de Johanes Müssack com uma pintura de Antonio Zanchi; o altar da Madonna del Carmine (Nossa Senhora do Monte Carmelo) em madeira entalhada, pintada e dourada, atribuído ao artista Belluno Antonio Lazzarini, e o altar da Madonna del Rosario (Nossa Senhora do Rosário) com tabernáculo, atribuído à escola de Andrea Brustolon em Belluno. Além disso, há afrescos de Franz Anton Zeiler e Giuseppe Ghedina, este último um artista versátil do vale de Ampezzo ativo nas regiões de Veneto e Friuli no século XIX.

 

Existem algumas curiosidades sobre a torre sineira: inaugurada em 1858 (a anterior torre data do século XII e foi demolida em 1849), tem uma altura de 65,80 metros, e para dourar a esfera do topo, a considerável soma de 60 ducados de ouro foram derretidos em Innsbruck. Os sinos também são de Innsbruck e foram tocados pela primeira vez em 19 de novembro de 1858 para comemorar o dia do nome da Imperatriz Elisabeth de Wittelsbach, “Sissi”. O relógio data da década de 1960 e toca os sinos do Big Ben de Londres.

 

2 - O mistério da quinta Sibila

 

A poucos metros da igreja, do outro lado do Corso Italia, um banco preserva um tesouro, mas não está trancado no cofre. Para vê-lo, basta entrar no andar térreo do banco Cassa Rurale ed Artigiana di Cortina d'Ampezzo, em um prédio que já hospedou a famosa pousada Stella d'Oro. É aqui que se encontra o afresco das Sibilas da primeira metade do século XV, redescoberto por acaso no final do século XIX durante um trabalho de restauro. A obra retrata cinco figuras femininas, com um mistério: a primeira é considerada a Sibila Valuensis (Justiça), a segunda é a Nicaulia ou Sibila Tiburtina, a terceira é a Portuense ou Sibila Líbia e a quarta é a Sibila Eritréia. Mas a identidade da quinta, que usa uma coroa incomum e, ao contrário de seus companheiros, está olhando para fora, permanece um enigma.

 

3 - Uma casa como uma pintura

 

Se você seguir a Corso Italia para o norte, verá uma casa maravilhosa coberta de afrescos. Chama-se Ciàsa de i Pùpe e já foi um anexo do hotel Aquila Nera, propriedade de Gaetano Ghedina Tomàš. Seus filhos, Luigi, Giuseppe e Angelo, decidiram se tornar pintores em vez de seguir os passos do pai, e eles deixaram a comunidade esta pequena joia de cores vivas no coração de Cortina. Nas paredes, estão os rostos de algumas grandes personalidades: Leonardo Da Vinci, Rafael, Dürer, Ticiano, Michelangelo, Dante, Goethe, Shakespeare e - surpreendentemente - o próprio Gaetano Ghedina Tomàš. Além disso, há figuras que representam as artes e as ciências, as quatro idades do homem e cenas da vida no vale de Ampezzo. Um toque particularmente atraente é um “painel” branco: um desafio que os irmãos Ghedina lançaram a quem teve a coragem de competir com o seu talento.

 

4 - O castelo “disputado”

 

Explorando a área ao redor de Cortina, muitos outros locais merecem uma visita. Como o Castello De Zanna, um castelo encomendado pelo nobre Gianmaria De Zanna no final do século XVII. Assemelhando-se a uma fortaleza em miniatura, não teve a aprovação da população, tendo a sua construção sido bloqueada em 1696 por não cumprir os princípios da constituição local. Em 1809, foi queimado e bombardeado pelos franceses. Hoje, no castelo podem-se ver duas torres, parte das paredes de cortina, e a igreja dedicada à Trindade, na qual existe uma pintura tradicionalmente atribuída a Palma il Giovane, mas, possivelmente de Agostino Ridolfi.

 

5 - O castelo em um local encantador

 

Demora apenas dez minutos de carro do centro de Cortina, seguindo a Strada Statale 51 di Alemagna (State Road 51), para chegar ao local do que foi outrora o Castelo de Botestàgno. Hoje, apenas alguns vestígios desta majestosa construção podem ser vistos, mas, o local vale bem a pena uma visita não só pelo seu valor histórico, mas também pela beleza das vistas que daqui se obtém. De fato, avista-se o vale do Ampezzo ao longo do curso do rio Boite, com prados ondulantes e os perfis das Dolomitas, também conhecidas como “Montanhas Pálidas”. No que diz respeito às origens do castelo, os historiadores propõem datas entre os séculos IX e X, ou mesmo no século XII. Mudou de mãos repetidamente ao longo dos anos, e seus proprietários incluíam o Patriarca de Aquileia, a República de San Marco, Maximiliano I da Casa de Habsburgo e, por último, a população de Ampezzo. Hoje a área faz parte do Parque Natural das Dolomitas Ampezzo.

 

6 - A lenda da Ponte Alto (Ponte Alta)

 

Existe uma lenda ligada ao Castelo de Botestàgno, que nos remete para a próxima etapa da viagem, a ponte Ponte Alto no Rio Travenanzes, ao longo do caminho que conduz à cascata dos Fanes. A história conta que no início do século 15, o cavaleiro Brack, famoso por seus feitos heróicos, vivia no vale do Marebbe. O cavaleiro ia frequentemente a Cortina para visitar a sua futura esposa que vivia no Castelo de Botestàgno, provocando a aversão da população Ampezzo e dos donos das pastagens por onde cavalgava. Os moradores decidiram sabotar a ponte que ele teria que atravessar para chegar até sua namorada, mas Brack, percebendo a armadilha, esporeou seu corcel que, com um salto prodigioso, saltou por cima do buraco. (Como para qualquer conto respeitável, há outra versão em que a ponte foi levada por uma tempestade, e o cavaleiro, perseguido por seus inimigos, escapou na hora devido ao salto incrível do cavalo). Hoje, da Ponte Alto é possível ver o espetacular desfiladeiro erodido pelos rios Travenanzes e Fanes, e visualizar o feito incrível com a ajuda de uma reprodução de uma pintura que era visível perto da ponte durante os anos 1930, comemorando uma história “suspensa” entre a lenda e a realidade.

 

7 - O diabo acorrentado

 

A Igreja de Beata Vergine di Lourdes (Nossa Senhora de Lourdes), do século 20, a maior das igrejas da aldeia do vale de Ampezzo, está situada em uma posição panorâmica no vilarejo Grava. Possui nave única e apenas um altar, dedicado à Virgem Maria, mas chama a atenção do visitante sobretudo as duas esculturas em madeira pintada de Corrado Pitscheider, de cada lado: à direita, Santa Luzia segura uma travessa em que estão os olhos arrancados por seu algoz; à esquerda, São Miguel Arcanjo é mostrado vencendo um terrível Diabo acorrentado.

 

8 - A casa do tempo

 

Logo no início da Via della Difesa, que antes era a Via Regia, podemos ver um dos edifícios mais distintos de Cortina. Um grande relógio na parede mostra as horas e relembra o ofício dos seus donos originais: aliás, existiu aqui uma oficina de reparação e construção de relógios de parede. A inscrição “Corazza Ampezzo” que ainda pode ser vista na parede é uma referência ao apelido da família Dibetto de Ampezzo, que inicialmente se especializou em forjar armaduras (“corazza” significa “couraça”), posteriormente se tornando ferreiros e depois relojoeiros. A varanda da casa tem uma pequena mão de madeira no final, apontando em uma direção que introduz um elemento de ambigüidade: em direção à vizinha Igreja de San Francesco (São Francisco), ou ao cemitério mais distante?

 

9 - Um mergulho no século 14

 

Ao lado da casa Corazza, Cortina guarda outro pequeno e muito antigo tesouro: a Igreja de San Francesco (São Francisco). A mais antiga documentação escrita sobre esta igreja, que pertencia à família Costantini, data de 1396. No interior, pode-se ver um belo altar de madeira do século XVIII e, na parede do coro, um encantador afresco do final do século XIV representando três Santos: o primeiro à direita é São Bartolomeu e os outros dois são mais difíceis de identificar. Muitos estudiosos acreditam que as figuras são três dos Doze Apóstolos.

 

10 - A “Virgem Maria Armada”

 

O roteiro termina com um dos locais mais queridos pela população Ampezzo. Foi construído como um voto de agradecimento à Virgem Maria que, dizem, não hesitou em intervir para impedir o avanço de Sigismundo das tropas imperiais do Luxemburgo em Cimabanche, em 1412. Este episódio - que é frequentemente considerado juntamente com a lendária intervenção de Madonna contra os godos muitos séculos antes - deu origem ao culto da Madonna della Difesa, celebrado em Cortina a cada 19 de janeiro, e ao Santuário da Madonna della Difesa (datado da segunda metade do século 15). Em 1743, a igreja foi reconstruída e foi consagrada dezoito anos depois. É um local que vale a pena visitar, em particular pelas suas valiosas pinturas, ícones e magníficas decorações interiores. No teto, uma complexa composição do século XVIII retratando a intervenção da Virgem, armada com uma espada. No altar principal, há uma magnífica estátua de madeira do final do século 15 dedicada à Madonna.