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Liverpool. Foto: Jaime Bórquez

 

Por Jaime Bórquez

 

 

É impossivel visitar esta cidade inglesa, situada a duas horas de trem de Londres, no condado de Merseyside, sem estar completamente submergido nas lembranças beatlemaníacas. Aliás, é muito provável que 99,9% dos turistas que a visitam sejam impulsionados pela força das gratas lembranças de uma vida coalhada de canções inesquecíveis.

 

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Liverpool. Foto: Jaime Bórquez

 

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Casa onde viveu John Lenon. Foto: Jaime Bórquez

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Casas onde viveram George Harrison e Paul Mc Cartney na infância. Fotos: Jaime Bórquez

 

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O edifício à esquerda apareceu na capa do primeiro álbum solo de Ringo Star - The Cavern Pub. Foto: Jaime Bórquez

 

Pelas ruas de Liverpool não somente se vê sessentões de cabelos grisalhos ou definitivamente carecas, como também, e muito, adolescentes disputando uma fotografia de si mesmo em cada canto marcado pela harmonia das canções dos Beatles. Lugares como Strawberry Field ou a barbearia e o banco descritos em Penny Lane, ou até mesmo em alguma rua do bairro onde os quatro garotos viveram seus momentos.

 

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Fotos: Jaime Bórquez 

 

A presença de toda essa gente, das mais distantes gerações, países e raças, indica sem sombra de dúvidas que a música dos Beatles deixou de ser ou do rock ou do beat e passou, definitivamente, a ser clássica e universal ao romper as barreiras geracionais.

 

Mas, se a beatlemanía faz tirar o foco de uma visita como esta, na que se pretende descobrir uma Liverpool além dos Fab4, imagine estar por lá tentando ser justo com os atrativos e o passado desta cidade. E acredite que ela já foi muito importante em várias épocas da história.

 

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Fotos: Jaime Bórquez

 

Sabe-se que seus inícios foram como uma pequena aldeia de pescadores. Não há muitos vestígios arqueológicos que mostrem outra coisa, além dessa vida dedicada à pesca no estuário de Mersey e um pouco mais dele, já no Mar da Irlanda.

 

De aldeia, Liverpool passa a ser município livre em 1207, por ordem do rei John Feris, mas o grande impulso foi dado, provavelmente sem medir os resultados, por Henrique III, em 1229, quando concedeu aos mercadores o direito de fazer negócios sem pagar impostos, nascendo assim o porto de Liverpool.

 

Já no final do reinado de Elizabeth I o porto tinha um grande comércio com o novo mundo e se transformou também na porta para a imigração ao que hoje são os Estados Unidos da América. Não é sem razão que se diz muito por aqui que muitos norte-americanos tem as raízes de sua árvore genealógica em Liverpool e tampouco é difícil se explicar a razão de certos nomes de cidades e bairros americanos como New York, New England, Queens a até uma cidade Liverpool, no Texas. Daqui houve grandes migrações ao EUA, a primeira nos anos 1600, quando se iniciara a colonização desse país e logo outros durante a primeira e a segunda Grande Guerra. Nomes famosos do cinema, que muitos acreditam serem americanos, são de origem inglês como Charlie Chaplin, Stan Laurel, da dupla O Gordo e o Magro, Peter Sellers e tantos outros. Mas, essa é uma outra história.

 

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Foto: Jaime Bórquez

 

Liverpool tem sido, por séculos, cidade industrial. Fabricam-se carros, produtos farmacêuticos, refinarias de petróleo e, claro, hoje o turismo. Embora seja uma cidade pequena, com somente 500 mil habitantes, tem muito para ser visitado e engana-se quem acha que em um dia ou dois vai conhecer o mais importante. A cidade tem muitas opções, como por exemplo, dar uma volta por Albert Dock, as docas recuperadas do abandonado porto, que seguramente foram a inspiração da latina Puerto Madero, na Argentina. Aliás, essas docas bonaerenses foram construídas por ingleses. Pubs, restaurantes, lojas de souvenirs e diferentes passeios se iniciam aqui.

 

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Albert Dock. Fotos: Jaime Bórquez

 

Logo em frente de Albert Dock está o chamado Liverpool One, onde está o mais moderno da cidade, com shoppings, lojas de grife, comida rápida e venda de bugigangas, tudo concentrado em poucos quarteirões. E é em Liverpool também que está a maior catedral anglicana do mundo, construída curiosamente pelo mesmo arquiteto que desenhou a famosa cabine telefónica inglesa. A poucos quarteirões dela está a catedral católica e se conta que os bispos destas duas igrejas foram grandes amigos, o que fez que esta cidade não tivesse os problemas que há em outros lugares da Inglaterra por este motivo. As duas catedrais estão unidas pela rua Hope, ou da Esperança, e logo no meio do trajeto estão as esculturas de ambos os bispos, conversando e sorrindo.

 

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Liverpool One. Fotos: Jaime Bórquez

 

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Fotos: Jaime Bórquez

 

Outro passeio nostálgico é no Ferry Mersey, que inspirou uma famosa canção dos anos 60, que dá uma volta parando em três pontos do estuário. Num deles, pode se visitar o submarino alemão U-534, da Segunda Guerra. Museus e espaços culturais, como a galeria Tate, o World Museum e vários no Albert Dock, onde há um completíssimo museu dos Beatles, imperdível para os fanáticos dos Fabulosos4. Outro lugar imperdível para quem curte Beatles é, obviamente, o pub The Cavern Club, onde dizem que tudo começou. Mas, a verdade é que os inícios musicais mesmo foram num café subterrâneo pequeno que se chamava Cashbah. No entanto, uma vez mais, essa é outra longa história, tão longa quanto pode ser tentar conhecer Liverpool sem que os Beatles estejam presentes em cada cantinho dela.

 

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O icônico The Cavern Pub imortalizado pelos Beatles. Fotos: Jaime Bórquez

 

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