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Ilha Bartolomé, uma das ilhas do arquipélago de Galápagos

 

Texto e fotos Jaime Bórquez

 

O paraíso natural que encantou Charles Darwin é hoje o principal orgulho do Equador. Pelo menos do ponto de vista de vitrine para estrangeiro ver. Viajar ao Arquipélago de Galápagos não é só fazer turismo, mas sim, embarcar em uma espécie de expedição científica em busca da fauna desconhecida. É neste conjunto de 19 ilhas e quarenta ilhotas que você encontrará animais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. E o mais surpreendente: a maioria dos bichos não tem medo do ser humano e recepcionam você nos decks de embarque e desembarque a todo o momento.

 

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 Iguana

 

Somente nas Ilhas Galápagos, iguanas cruzam com você na rua sem que sua presença faça a mínima diferença. Muito pelo contrário. Este tipo de comportamento sugere que os seres humanos são encarados pelos animais como mais um da espécie, só que em escala maior. Em Galápagos, a natureza brota a todo momento da terra, do ar e do mar. Entre uma travessia e outra de barco – é este o principal meio de transporte para se movimentar no arquipélago – um lobo marinho dormindo na popa de um iate certamente o enternecerá. Ou colônias de caranguejos vermelhos – uma das dezenas de espécies endêmicas do lugar – o fará pensar que está inserido em filme de desenho animado bem ao estilo Procurando Nemo.

 

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Caranguejo Vermelho

 

No hotel, pássaros de pequeno porte circulam entre os hóspedes sem cerimônia. É possível ser brindado no café da manhã com a inesperada visita de um pardal que pousa sobre o encosto da cadeira como se quisesse descobrir as iguarias escolhidas para o desjejum. Assim é Galápagos. Até Charles Darwin pisar por este santuário natural, acreditava-se que tudo era criação de Deus. O pesquisador inglês e os bichos destas ilhas provaram que não.

 

Nadando com os bichinhos

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Leões Marinhos nas Ilhas Galápagos

 

Mergulhar com tartarugas, pinguins, focas e leões marinhos na Ilha Bartolomé, a mais famosa do arquipélago, é certamente uma das experiências mais marcantes da viagem à Galápagos. Com a ajuda de nadadeiras, máscara e snorkel, é possível ter a sensação de ser um típico animal galapaguenho. As águas absolutamente transparentes que cercam a ilha conferem um visual paradisíaco ao lugar. É lá que está o famoso pináculo, formação rochosa natural conhecida também como o “dedo de Deus”.

 

Rocha O dedo de Deus

 Dedo de Deus

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Focas

 

Uma escadaria de madeira com nada menos que 570 degraus leva até o ponto mais alto da ilha, de onde é possível avistar o vermelho ocre que indica a origem vulcânica do lugar. É de lá também que se tem a mais bela vista de Bartolomé, cercada de praias habitadas por diferentes tipos de aves e animais marinhos, incluindo algumas espécies de tubarões. Mas, não tenha medo de entrar na água, os guias orientam os turistas a mergulhar em áreas seguras, onde o que impressiona é a cartela de cores de tamanhos variados de peixes.

 

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 A linda vista do ponto mais alto da Ilha Bartolomé é a recompensa que se tem após subir a escadaria de 570 degraus

 

Se o protetor solar fator 40 não pode faltar na bolsa, tão pouco sandálias ou chinelos de tiras. O calor daquelas areias iluminadas pelos raios perpendiculares do Sol do Equador é tão forte que transforma qualquer bípede desavisado em aprendiz de saci pererê, pulando em um pé só. Fora que os caminhos entre uma praia e outra são tomadas por espinhos de cactos, uma das espécies de plantas mais comuns do arquipélago.

 

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Uma das lindas praias das Ilhas Galápagos

 

As três horas de barco que separam Bartolomé da base mais próxima de qualquer hóspede de Galápagos também é um caminho surpresa. De uma hora para outra, um dos guarda-parques que acompanha o grupo no barco aponta para o inesperado, que pode ser uma arraia gigante, um simpático bando de golfinhos ou uma baleia com o filhote. Do começo ao fim do passeio, você nunca sabe o que lhe espera pela frente. Quem costuma enjoar em barco deve tomar algo para evitar o infortúnio físico. Principalmente na volta, o mar costuma estar agitado pelo vento.

 

Toda vez que você se deparar com um bicho em Galápagos, será imediatamente orientado pelos guardas-parques a manter uma distância mínima de dois metros. E é isto que mantém a tranquilidade dos animais e o grande tesouro natural destas ilhas. A estrela do arquipélago, no entanto é a espécie que nomeia o lugar: as tartarugas gigantes. Só na Ilha Santa Cruz, há pelo menos três mil delas. Ao Sul da ilha fica a estação Charles Darwin, onde residia o falecido e famoso velho George, um galápago com quase um século de vida que não deixou descendentes. Essa estação continua os estudos sobre a diversidade da fauna e flora das ilhas, muitas delas.

 

Tartaruga Galapagos

Tartarugas Galápagos

 

Mas, o grande barato é conhecê-las em seu habitat natural, em geral grandes banhados onde inevitavelmente é necessário sujar os sapatos para obter uma boa foto. Em todo o arquipélago, há ainda 100 mil leões-marinhos, 15 mil tartarugas e pelo menos um milhão de aves aquáticas. Um verdadeiro parque de diversões dos amantes da natureza.

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